Vantagens do Aleitamento Materno

Vantagens do Aleitamento Materno

As vantagens do aleitamento materno são múltiplas, tanto para a criança, como para a mãe, a família, a sociedade e o ambiente, tanto a curto como a longo prazos. As vantagens incluem benefícios para a saúde, nutricionais, imunológicos, para o desenvolvimento, psicossociais, económicos e ambientais. Os benefícios para o bebé são, a curto prazo, a certeza de lhe estar a dar o melhor alimento, dado que o leite materno tem todos os nutrientes que o bebé precisa nos primeiros seis meses de vida. O leite materno é um alimento vivo, único, cujos composição e valor energético se modifica de acordo com a idade do bebé e as suas necessidades, varia também do início para o fim da mamada, ao longo do dia e dos meses (Saraiva, 2002). Estas variações das características do leite materno facilitam, posteriormente, uma melhor adaptação da criança a outros alimentos. O colostro é o primeiro leite segregado após o parto (nos primeiros quatro a cinco dias), contém anticorpos maternos, é rico em proteínas, vitaminas e factores imunológicos e por isso é denominado de “primeira vacina”, sendo ainda mais rico em proteínas anti-infecciosas nas mães que têm prematuros. Ajuda a regular o desenvolvimento do sistema imunológico da criança. E rico em vitamina A, que protege os olhos e reduz as infecções. O colostro é laxante, o que facilita a eliminação do mecónio, levando desse modo à prevenção da obstipação e à diminuição do risco de icterícia. Os factores de crescimento presentes no colostro ajudam o intestino a amadurecer e a funcionar de forma eficiente, dificultando a entrada dos microrganismos e alergéneos. A riqueza nutricional do colostro faz com que, mesmo em pequena quantidade, o que está de acordo com a capacidade gástrica de um recém-nascido (4 colheres de chá = 20ml), seja suficiente para cobrir as suas necessidades alimentares. Por volta do 4.° dia dá-se a “subida do leite”, que corresponde ao aumento brusco da produção de leite. Chama-se leite de transição ao leite produzido entre o 4.° e o 15.° dia, período em que a composição do leite se vai alterando até atingir as características de leite maduro. A partir do 15.° dia, o leite é um alimento completo, que se caracteriza por, no início da mamada (leite inicial), ser acinzentado, aguado e fluir mais rapidamente, conter menos gordura e mais lactose, proteínas, vitaminas, minerais e água.

O leite final é mais branco e energético, dado o elevado teor em gordura, o que faz com que o bebé fique com a sensação de saciedade no final da mamada. Este facto justifica a importância de deixar o bebé esvaziar completamente uma mama antes de iniciar a outra.
O leite humano é rico em ácidos gordos essenciais, nomeadamente o ácido docosohexanóico e o ácido araquidónico, que estão associados a uma melhor acuidade visual e à capacidade cognitiva da criança. A composição rica em ácidos gordos permite fornecer o conteúdo energético em pouco volume de leite. A existência de lípase no leite materno facilita a sua digestão. Os bebés amamentados raramente desenvolvem carência de ferro, dado que a absorção do ferro é facilitada pelas elevadas concentrações de lactoferrina e vitamina C do leite humano. O leite é constituído por 87,5% de água, o que promove uma hidratação adequada, levando a que o bebé que faz aleitamento materno exclusivo não necessite de ingerir qualquer outro líquido. O conteúdo proteico do leite materno caracteriza-se pela ausência de beta-lactoalbumina, presente no leite de vaca e responsável por alergias, e por uma menor concentração de caseína, o que contribui para o mais rápido esvaziamento gástrico e maior digestibilidade do leite materno.

O aleitamento materno diminui a incidência e/ou a gravidade de um vasto leque de infecções, incluindo a meningite bacteriana, bacteriémia, diarreia, infecções do tracto respiratório, enterocolite necrosante, otite média, infecções do tracto urinário e sepsis no recém-nascido pré-termo. O contacto precoce possibilita que as bactérias da mãe sejam as primeiras a colonizar o bebé, sendo-lhe transmitido pelo leite materno os anticorpos necessários para as defesas contra esses agentes.
Calcula-se que todos os anos cerca de dois milhões de mortes em crianças poderiam ser evitadas através do aleitamento materno (Jones, 2003). Em 2004, Chen e Rogan demonstraram, num estudo realizado nos Estados Unidos, que as crianças alimentadas com leite materno têm uma redução da mortalidade pós-neonatal de 21%. Há estudos que referem que as crianças alimentadas exclusivamente com leite materno adoecem 2,5 vezes menos do que as que fazem leite de fórmula (Chandra, 1979). Um estudo levado a cabo nas Filipinas demonstrou que em lactentes com idade compreendida entre os zero e dois meses alimentados com aleitamento materno exclusivo o risco relativo de diarreia era 17 vezes menor do que os que eram alimentados com fórmula para lactentes. O simples facto de as crianças tomarem água e chá para além do leite materno triplicou o risco de diarreia em relação aos que faziam aleitamento materno exclusivo (Popkin, 1990).

Feachem em 1984 demonstrou que as crianças nos primeiros seis meses de vida morriam 25 vezes mais de diarreia quando não faziam aleitamento materno exclusivo.
Victora, em 1987, realizou um estudo no Brasil em que demonstrou que lactentes entre os oito dias e 12 meses alimentados com fórmula tinham um risco relativo de morte por pneumonia quatro vezes maior do que os que faziam aleitamento materno. Há estudos que apontam para o facto de as crianças que fazem aleitamento materno exclusivo até aos quatro meses ou mais terem metade dos episódios de otite aguda do que os que não o fazem (Duncan et al., 1993). Podemos portanto dizer que o aleitamento materno previne as doenças e diminui a mortalidade infantil.

O leite materno tem também um efeito protector contra alergias e dá uma protecção imunológica, sendo fundamental nos primeiros tempos de vida, em que o recém-nascido é mais susceptível a infecções; para tal contribui também o facto de o leite materno ser isento de microrganismos, pois passa directamente da mama para a boca do bebé. Alguns estudos sugerem a redução da frequência da síndrome de morte súbita no primeiro ano de vida em crianças alimentadas com leite materno. A longo prazo as crianças amamentadas têm menor incidência de doenças como diabetes, linfoma, leucemia, doença de Hodgkin, doença de Crohn, colite ulcerosa e doença celíaca (Martin et al., 2005). Têm também menos probabilidade de desenvolver eczemas, asma, dislipidemia e obesidade (Schack-Nielsen and Michaelson, 2006).

Amamentação

A amamentação é importante no desenvolvimento da mandíbula, da dentição e dos músculos da face, o que contribui para o desenvolvimento da fala e a diminuição da cárie dentária.
No bebé doente, o facto de mamar ajuda a hidratar e a recuperar mais rapidamente, para além de lhe dar conforto e relaxamento, porque contém endorfinas, substâncias que ajudam a diminuir a dor. Há estudos que demonstram que a probabilidade de internamento hospitalar das crianças que fazem aleitamento materno é três vezes inferior às que fazem aleitamento artificial. Foi também demonstrado que os bebés alimentados com leite materno têm melhor desenvolvimento intelectual, psicomotor e social, levando a que em geral sejam mais inteligentes e obtenham melhor sucesso escolar . Os benefícios do aleitamento materno iniciam-se no contacto pele a pele após o nascimento e na amamentação na primeira hora de vida porque:

• O bebé fica mais calmo e com as frequências respiratória e cardíaca mais estáveis.
• O bebé é exposto em primeiro lugar às bactérias da mãe que costumam ser menos agressivas e contra as quais o leite materno possui factores de protecção. As bactérias maternas passam a habitar o intestino e a pele do bebé, competem com as bactérias mais nocivas e, desta forma, evitam a ocorrência de infecções.
• O bebé recebe colostro durante as primeiras mamadas.
• Tocar, pegar e sugar a mama estimula a libertação de ocitocina, que promove a saída de leite da mama, faz com que o útero se contraia, contribui para a expulsão da placenta e para a redução da hemorragia materna após o parto e ainda estimula outras hormonas que dão à mãe a sensação de relaxamento;
• Em regra as mulheres costumam sentir uma incrível sensação de felicidade no primeiro encontro com o bebé! E os pais geralmente partilham esse sentimento. E assim começa o processo de vinculação entre a mãe e o bebé. Acima de tudo, o contacto pele a pele e a amamentação precoces estão associados à redução da mortalidade no primeiro mês de vida e estão também relacionados com o aumento da exclusividade e da duração do aleitamento materno nos meses seguintes, contribuindo, portanto, para um melhor padrão de saúde e para a redução da mortalidade tardia.

Os benefícios da amamentação também se estendem à mãe, dado ser mais fácil e prático, pois não necessita de aquecimento, preparação, nem esterilização, permitindo-lhe poupar tempo; ajuda-a a recuperar mais rapidamente a forma física após o parto; facilita a contracção uterina devido aos níveis de ocitocina mais elevados, diminuindo deste modo a hemorragia pós-parto e a incidência de anemia; protege a mãe de uma nova gravidez, desde que: o aleitamento seja exclusivo, nos primeiros seis meses, a mulher não menstrue e o intervalo entre as mamadas não ultrapasse as seis horas. Há autores que referem que o aleitamento materno contribui para o espaçamento natural das gravidezes, dando mais 30% de protecção do que todo o planeamento familiar organizado nos países desenvolvidos.

Contrariamente ao que por vezes se diz, amamentar não é fisicamente desgastante para a mãe.

O aleitamento materno permite que a mãe, mesmo durante o dia, se sente ou deite enquanto amamenta. A amamentação pode actuar como uma técnica anti-stress para a mãe e concomitantemente o bebé recebe conforto e carinho. A longo prazo a mulher que amamenta tem menor risco de ter cancro da mama, do endométrio  e osteoporose , bem como de doenças cardíacas, diabetes e artrite reumatóide.
Os benefícios psicológicos são o fortalecimento do vínculo afectivo mãe/filho. A proximidade entre os dois estimula o tacto e o olfacto do bebé, transmitindo-lhe bem-estar, segurança e tranquilidade, fazendo com que o bebé chore menos. A amamentação proporciona um prazer único, e a mulher que consegue amamentar com sucesso sente-se mais realizada e autoconfiante e tem menos depressão pós-parto. A mãe sente mais apego emocional e é mais afectuosa. Há estudos que demonstram que os bebés amamentados têm menor risco de serem maltratados e abandonados.

O aleitamento materno melhora a qualidade de vida da criança e de toda a família, porque permite poupar tempo e dinheiro, facilita as deslocações, viagens, passeios e mobilidade em geral. Para além disso, pelo facto de os bebés amamentados adoecerem menos, há uma redução significativa nos gastos com a saúde, em medicamentos e utilização de serviços de saúde, e diminuição do absentismo dos pais.
Nas comunidades de muito baixos recursos económicos, os custos com o leite artificial, leite de vaca, biberões, tetinas, energia para ferver a água, etc, podem representar cerca de 25% a 50% dos rendimentos familiares. Daí que a baixa taxa de adesão ao aleitamento materno, para além de representar um aumento das despesas da família, da comunidade e do serviço nacional de saúde, representa também o aumento da desigualdade na saúde. A amamentação atenua as diferenças sociais das taxas de morbilidade e de mortalidade, constituindo um seguro de saúde e de vida para os filhos dos pobres.
As vantagens económicas reflectem-se também a nível das finanças públicas, na medida em que há menos gastos com a alimentação e a saúde infantil. A longo prazo diminui também as despesas no tratamento de doenças crónicas como a diabetes, a hipertensão e a obesidade. Para a economia nacional, a diminuição do absentismo dos pais destas crianças constitui um benefício significativo.
Para além do mais, o leite materno é ecológico, não necessita de ser fabricado, envasilhado, nem transportado, permitindo poupar muita energia e recursos naturais e diminuir a poluição do meio ambiente.
As maiores vantagens do aleitamento materno são os ganhos em saúde e a contribuição para o desenvolvimento socioeconómico das populações.



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