Como diagonisticar a Osteoartrose

Como diagonisticar a Osteoartrose

O diagnóstico é essencialmente clínico, já que, na população com idade superior a 65 anos, as alterações radiológicas são quase universais, não acarretando, todavia, sintomas na maioria das situações. A dor, de ritmo “mecânico” (melhora com o repouso e piora com o esforço), é o sintoma cardinal, constituindo a primeira causa de disfunção. Deve ser diferenciada da dor que evolui com ritmo “inflamatório” (com agravamento nocturno, durante o descanso, e com alguma melhoria com o exercício) que surge em patologia bem diversa (por exemplo, doenças infecciosas, inflamatórias e tumorais). Por via de regra, e do ponto de vista sintomatologia), a osteoartrose manifesta-se inicialmente através de um número muito exíguo de articulações (frequentemente afecta apenas uma única articulação) e nunca antes da quarta ou da quinta década de vida. Todavia, esse envolvimento, à medida que os anos decorrem, torna-se mais expressivo, assumindo, não raras vezes, em grupos etários mais avançados (70-80 anos), formas poliarticulares (em que existem cinco ou mais articulações afectadas). Neste contexto, as articulações mais frequentemente atingidas localizam–se nos dedos da mão: interfalângicas distais, proximais e “base” do primeiro metacarpo (rizartrose, ou artrose do polegar); pé: sobretudo no primeiro dedo, e na coluna vertebral (mormente na região cervical e lombo-sagrada). Os joelhos e as coxo-femurais (ancas) podem também ser atingidos com alguma frequência.
Associado à dor, pode também haver um pequeno período (inferior a 30 minutos) de limitação da mobilidade articular (a que se dá o nome de “rigidez”), após períodos de inactividade.
Outro aspecto típico, concernente às queixas dos doentes, é a ocorrência frequente de exacerbações álgicas com as alterações climáticas (humidade, frio). A osteoartrose pode também ter características atípicas: por exemplo, dor de ritmo “inflamatório” em fases de agudização (mais frequentes nos joelhos), dor constante (mesmo em repouso e durante a noite) em formas muito avançadas, ou envolver articulações (por exemplo, punho, ombro, tornozelo) que, habitualmente, não são atingidas, facto que nos pode remeter para outros diagnósticos (formas secundárias).
Relativamente aos exames auxiliares de diagnóstico, a radiografia mantém lugar de destaque. E o meio mais usado para confirmar o diagnóstico, quando persistem dúvidas, mostrando alterações que justificam a clínica. Também é útil na exclusão de outros diagnósticos, no estudo de complicações (por exemplo, agravamento súbito da dor, por coipos livres intra-articulares ou infecção) e no estudo pré-operatório articular.
As alterações radiográficas, sugestivas e evocadoras de osteoartrose, englobam parcial ou totalmente quatro aspectos: redução da amplitude do espaço articular (diminuição da interlinha articular, decorrente da “perda” da cartilagem); esclerose óssea subcondral (aumento da “densidade” do osso nas zonas adjacentes ao espaço articular); osteófitos (neoformações ósseas que se desenvolvem, tipicamente, nas margens articulares, podendo contribuir para a estabilidade da articulação) e pseudoquistos ósseos (cuja origem estará relacionada com a entrada de líquido articular sob tensão).

No entanto, não podemos esquecer que as alterações radiológicas são quase universais na população com idade superior a 65 anos; o diagnóstico deverá ser feito apenas perante perturbação da vida do doente (geralmente pela dor). Além disso, é um exame pouco sensível para alterações iniciais ou pequenas, pelo que o facto de poder ser considerado “normal” não exclui o diagnóstico, desde que haja clínica sugestiva. Não é útil, também, repeti-lo, para avaliação da progressão da osteoartrose, em intervalos inferiores a um ano.
Outras técnicas de imagem podem ser úteis em situações específicas: a ecografia, para articulações ou tecidos peri-articulares, superficiais; a tomografia computorizada, para alterações ósseas; a ressonância magnética, para articulações complexas e de difícil acesso.
Alguns outros estudos subsidiários, potencialmente úteis, incluem o estudo analítico sanguíneo (diagnóstico diferencial com outras patologias, ou causas secundárias da doença) e a análise de líquido articular, caso exista tumefacção articular (punção do joelho, para alívio sintomático, tratamento e exclusão de artrite séptica). Existem, ainda, meios técnicos em fase de desenvolvimento, geralmente não necessários nem disponíveis na prática clínica, que irão permitir um melhor entendimento desta patologia.



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