Quais os Tipos virus Gripe Humana

Gripe

Desde 1933, quando o vírus da gripe humana foi, pela primeira vez identificado em laboratório, os casos de gripe pôderam ser acompanhados e a gripe confirmada por diagnóstico laboratorial e a história desta enquanto importante doença humana pôde ser reavaliada à luz dos novos conhecimentos biológicos e recorrendo a soluções técnicas sofisticadas. Para os séculos anteriores, as infecções causadas por este vírus podem ser reveladas através da descrição dos sinais e sintomas que ficaram conhecidos e pela natureza explosiva das epidemias relatadas ao longo da história. Não só casos esporádicos ou surtos epidêmicos são identificáveis no passado, mas também as pandemias. Importa saber o que estes termos designam: uma epidemia ocorre quando a doença ataca grande número de pessoas num determinado local ou região, durante um período de a marcado por início e fim bem definidos. Quando surge numa zona geográfica específica, se espalha rapidamente por vários países e atinge pelo menos um continente, estamos perante uma pandemia. No passado, as pandemias de gripe afectaram milhões de pessoas e causaram grande número de mortes.
Pode dizer-se que em 1580 terá ocorrido, com grande probabilidade, a primeira pandemia de gripe identificada em registos históricos. Teve origem na Ásia, no Verão, espalhando-se depois à África e posteriormente à Europa. Na Europa caminhou de sul para norte em seis meses, registando-se cerca de 8000 mortes em Roma e sendo dizimadas algumas cidades espanholas. Subsequentemente, a infecção atingiu a América.
A partir de 1700 os registos são mais informativos e de melhor qualidade, e a maioria dos especialistas identifica a ocorrência de 10 pandemias de gripe ao longo dos últimos 300 anos. Verificou-se que todas as pandemias, para as quais existe esse tipo de informação, tiveram origem na China, na Rússia ou noutras partes da Ásia. Ocorreram com intervalos que variaram entre 10 a 50 anos, e não se verificou um aumento ou uma diminuição significativos deste intervalo com o passar dos anos.

Tipos de vírus da Gripe

São conhecidos três tipos de vírus da gripe – gripe A, gripe B e gripe C. Entre si, apresentam diferenças significativas na organização genética, na estrutura, nas espécies que afectam, na sua caracterização epidemiológica e nas características clínicas da infecção e da doença que produzem.
Estes vírus pertencem ao género Orthomyxoviridae e têm um genoma constituído por 8 (tipo A e B) ou 7 (tipo C) segmentos de ácido ribonucleico (ARN), que codificam múltiplas proteínas víricas.
As mais importantes dessas proteínas ou antigénios de superfície são a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N), cuja variabilidade, no vírus da gripe A, está na base da sua classificação em diferentes subtipos (por exemplo H5N1 ou H3N2), aos quais, como já vimos, se associam expressões epidemiológicas e clínicas distintas.
A hemaglutinina intervém na adesão e na entrada do vírus na célula do hospedeiro, através da ligação a um receptor de ácido siálico da superfície celular, facilitando a fusão das membranas do vírus e da célula do hospedeiro. A afinidade para a ligação a estes receptores é em parte responsável pela especificidade dos vírus da gripe para determinada espécie, isto é, pela existência da chamada barreira de espécie, pois enquanto os vírus humanos se ligam a receptores com o resíduo de ácido siálico na posição a-2,6 – os receptores que se encontram na superfície das células de revestimento (epiteliais) ao longo do aparelho respiratório humano, os vírus aviários têm afinidade para receptores na posição a-2,3, os quais são encontrados no aparelho digestivo de aves. Se a hemaglutinina tem papel determinante na ligação do agente infeccioso à célula do hospedeiro susceptível, a neuraminidase tem papel na promoção da infecção ao permitir a libertação das novas partículas víricas formadas na
célula hospedeira infectada e ao ajudar a mobilizar o vírus ao longo do aparelho respiratorio. Os hospedeiros naturais dos vírus da gripe A, as aves aquáticas migratórias, representam um amplo reservatório de todos os tipos de hemaglutinina e neuraminidase a partir dos quais os vírus da gripe A que afectam os mamíferos derivam, directa ou indirectamente. Actualmente conhecem-se 16 tipos diferentes de hemaglutinina (Hl a Hl6) e 9 de neuraminidase (NI a N9). No entanto, os vírus da gripe que se foram estabelecendo nos mamíferos apresentam uma combinação muito restrita de tipos de H e N. Os subtipos humanos, até há bem pouco tempo, encontravam-se limitados a combinações de Hl, H2 e H3 com NI e N2.
Os vírus da gripe A são os mais frequentes e causam as mais importantes epidemias de gripe na população humana. Estes vírus são perpetuados na natureza através das aves aquáticas migratórias, sendo na maioria das vezes inofensivos (não-patogénicos) para estas aves. No entanto, podem causar doença em aves selvagens e domésticas assim como em mamíferos, para além do homem, como os suínos e equinos. Os vírus da gripe B infectam apenas humanos, geralmente causam doença mais benigna (menos grave) que os do tipo A e afectam primariamente crianças. São mais estáveis imunologicamente, isto é, são menos susceptíveis de sofrer mutações pontuais (drifts antigénicos) que os vírus da gripe A. Os vírus da gripe C são raramente associados a doença humana, provavelmente porque a maior parte das vezes causam infecções subclínicas (assintomáticas). Não dão origem a epidemias.
A nomenclatura de classificação para os vírus da gripe segue uma regra internacional que inclui, por ordem: o tipo de vírus da gripe, a espécie de onde foi isolado, o local, o número sequencial de estirpe, o ano de isolamento e o subtipo. A espécie animal não é referida na designação do vírus quando se trata de estirpes isoladas em humanos. Assim, por exemplo, o vírus H5N1 responsável pelo surto de gripe aviária de 1997, em Hong-Kong, está identificado do seguinte modo: A/chlc/HK/728/97(H5Nl), onde “chk” significa galinha (do inglês chicken).



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