O que fazer quando se contacta com um doente com tuberculose?

É da competência das instituições responsáveis pelo tratamento da tuberculose (Centro de Diagnóstico Pneumológico – CDP) proceder à investigação dos contactos de um doente contagioso. O estudo dos contactos é efectuado por prioridades, avaliando-se, primeiro, os indivíduos com convívio mais intenso com o doente, em regra os familiares que habitam a mesma casa e, entre estes, as crianças.

O objectivo do estudo dos contactos é encontrar outros indivíduos doentes (com Tuberculose Activa) e identificar indivíduos infectados (com Tuberculose Latente) com grande risco de virem a adoecer e que possam beneficiar de “tratamento preventivo”. De um modo geral, os contactos são submetidos a um questionário de sintomas, a um exame radiológico do tórax (micro ou radiografia) e à prova de tuberculina (também designada de prova de Mantoux). A prova de tuberculina consiste numa pequena injecção na pele do braço de um produto contendo uma determinada quantidade de proteínas do bacilo 48 a 72 horas depois observa-se e mede-se a reacção no local da injecção (aparecimento de uma pápula dura e avermelhada, se a resposta for positiva). A formação dessa pápula traduz que o indivíduo, que previamente esteve em contacto com o bacilo, reconheceu essas proteínas. Deste modo, uma prova de tuberculina positiva significa que a pessoa contactou com o bacilo da tuberculose e se encontra infectado ou que foi previamente vacinado com a BCG.

Sabe-se que os indivíduos recentemente infectados têm uma probabilidade maior de desenvolverem doença nos dois anos subsequentes a essa infecção, pelo que é importante determinar se houve uma “viragem” da prova de tuberculina de negativa para positiva. Os indivíduos em que se demonstra viragem recente ou aqueles com factores de risco para desenvolverem a doença são os que mais beneficiam do tratamento da infecção latente (anteriormente designado de tratamento preventivo). Ao indivíduo com uma infecção latente (não doente) contraída recentemente e que não tenha contra-indicações para a realização de tratamento contra a tuberculose, poderá ser oferecida terapêutica, com o objectivo de reduzir o risco de progressão do estado latente para doença activa. Esta é uma importante medida de protecção de saúde individual e, também, de saúde pública, pois permite cortar a corrente de transmissão, evitando que mais indivíduos fiquem doentes e potencialmente contagiosos.

Esse tratamento é, tal como o tratamento da doença, fornecido nos CDP’s e utiliza os mesmos medicamentos usados no tratamento da doença, mas num esquema, em geral, mais curto e com menos fármacos.

Em Portugal, a maioria da população foi vacinada com a BCG, pelo que muitas das provas de tuberculina positivas poderão traduzir o efeito da vacinação e não uma infecção. Actualmente, é possível recorrer a uma determinação no sangue de proteínas (ou a resposta do organismo à presença delas) exclusivas do bacilo Mycobacterium tuberculosis e que não existem na vacina BCG. Esses testes sanguíneos são, actualmente, utilizados de forma criteriosa nos rastreios de tuberculose e poderão vir a substituir, no futuro, a realização da prova da tuberculina.



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