O que é a Gripe A ou Gripe Aviária

Gripe aviária

As aves, especialmente as aquáticas, são o reservatório natural dos vírus da gripe A, e os subtipos até agora conhecidos foram detectados em mais de 90 espécies de aves selvagens aparentemente saudáveis. Estes vírus replicam-se sobretudo nas células epiteliais do aparelho digestivo, mas também do aparelho respiratório, das aves e são excretados através das fezes e das secreções respiratórias. Deste modo, a transmissão dos vírus pode ocorrer por via fecal-oral directa, por via aérea e através da contaminação de águas, o que pode contribuir para o perpetuar destes vírus nos habitats naturais das aves.
Estes vírus aviários não infectam habitualmente o Homem, pois possuem alguma especificidade para os receptores característicos da espécie. Em raras ocasiões os vírus aviários cruzaram a barreira de espécie, ou seja, adquiriram a capacidade de infectar outros mamíferos, para além do porco, nomeadamente os seres humanos. As aves migratórias podem transportar e disseminar estes vírus por longas distâncias, excretando grande quantidade de vírus nas suas fezes, sem exibirem qualquer sintoma.
A infecção das aves domésticas tem um espectro de consequências geralmente distinto. Nelas, os vírus da gripe A aviária podem causar infecções assintomáticas ou apenas uma doença muito ligeira, e são classificados em termos de saúde animal como vírus de baixa patogenicidade (LPAI “Low Pathogenic Avian Influenza”), ou então podem determinar uma doença rapidamente transmissível e letal em praticamente 100% das aves infectadas, designada gripe aviária de alta patogenicidade (HPAI – “Highly Pathogenic Avian Influenza”). Esta forma altamente patogênica foi pela primeira vez identificada em galinhas em 1878 em Itália. Desde então, foram descritos múltiplos surtos em aves domésticas, a maioria em perus mas também frequentemente em galinhas, e presumivelmente com origem na contaminação das águas das quintas de criação, ao longo das rotas de migração de populações de aves selvagens. Os surtos de gripe aviária estão bem caracterizados em termos virulógicos desde 1955, e até agora apenas os subtipos H5 e H7 assumiram formas altamente patogênicas. Estas formas geralmente não têm hospedeiro natural e surgem após introdução, por intermédio de aves selvagens, de vírus LPAI entre aves domésticas. Esses vírus rapidamente evoluem e sofrem mutações que lhes conferem características de HPAI. Ocorreram cerca de 25 surtos desde 1959, a grande maioria nos últimos 10 anos, e geralmente foram surtos limitados em termos de dispersão geográfica. Em 1997, em Hong-Kong, foi identificado um surto em aves, pelo vírus da gripe altamente patogênico A(H5N1) (figura 10), que causou pela primeira vez doença em humanos (18 casos confirmados, dos quais seis fatais). Foi controlado através da destruição, em três dias, de mais de 1,5 milhões de aves. Contudo, o agente voltou a circular em finais de 2003, causando surtos de dimensões sem precedentes, espalhando-se rapidamente entre vários países do Sudeste Asiático, onde actualmente é endémico. Actualmente já atingiu mais de 50 países na Ásia, na África e na Europa, tal como se pode observar na figura 11, onde estão indicados os países de regiões com casos de infecção em animais selvagens e em animais domésticos, e devastou milhares de milhões de aves, com impactos económico e social significativos. A infecção pelo vírus aviário A(H5N1) foi também confirmada em humanos. Identificaram-se pouco mais de 300 indivíduos com infecção pelo vírus A(H5N1) confirmada laboratorialmente pela Organização Mundial de Saúde, mas foi fatal em 60% dos casos. Na maioria dos casos humanos havia evidência de contacto próximo com animais infectados. Este fenómeno causou crescente preocupação mundial quanto à possível emergência e proximidade de uma pandemia de gripe por este subtipo vírico.



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