Como proteger-se de radiações ionizantes – radónio

A Terra é radioactiva por natureza, assim como o ar que respiramos, o que comemos e o solo que pisamos. A tecnologia moderna aumenta o número de riscos provenientes de radiações, devido a fontes como os raios X, as centrais nucleares e até objectos com os quais lidamos todos os dias, como os detectores de fumos e as fotocopiadoras.

Existem dois tipos de radiações que podem diminuir o nosso tempo de vida: as radiações ionizantes – as quais provocam reacções químicas que podem causar lesões nos tecidos – e as radiações não-ionizantes, que abrangem as radiações electromagnéticas de baixa energia (provenientes dos cabos eléctricos e dos telefones celulares, por exemplo) e as radiações microondas.

As radiações ionizantes usam-se na radioterapia para destruir células cancerosas – é por Isso que às vezes as radiações controladas podem ajudar as pessoas a viver mais tempo. Mas, em geral, são nocivas, visto que alteram a maneira como as células crescem, funcionam ou se reproduzem. As doses muito grandes de radiações podem destruir tecidos com uma regeneração celular rápida e provocar, por exemplo, queimaduras na pele, anemia e perda de membranas intestinais. Isto pode ser fatal num curto espaço de tempo. Mais relevantes são os efeitos a longo prazo da exposição crónica, o mais importante dos quais é o risco acrescido de cancro, sobretudo nos pulmões e no sangue (leucemia).
85% das radiações ionizantes provêm de fontes naturais. Entre elas, conta-se a crosta terrestre, donde emerge o radónio, que é responsável por metade da exposição a todas as radiações, a par das rochas, do solo e dos materiais de construção, dos quais emanam os raios gama.

Os alimentos e as bebidas constituem outra fonte de radiações, porque as plantas e os animais absorvem matérias radioactivas com os nutrientes. Certos alimentos, como as nozes-do-brasil, o chá, o café e o pão são mais radioactivos do que outros. Os seres humanos também são uma fonte potencial de radiações, visto que consomem bebidas e alimentos radioactivos.

O Sol e o espaço exterior, donde provêm os raios cósmicos, estão em geral separados de nós pela atmosfera, mas a maiores altitudes, onde o ar é rarefeito – nas montanhas, por exemplo – estamos susceptíveis a uma dose maior destes raios. Também quando viajamos de avião, recebemos 100 vezes mais radiações do que ao nível do mar.

Além disso, há importantes fontes artificiais de radiações, como os exames e os tratamentos médicos, designadamente os raios X. A uma escala maior, as centrais eléctricas, que libertam matérias radioactivas para o ambiente sob a forma de gases (energia nuclear) ou de cinzas (energia a carvão), também são fontes, assim como as centrais nucleares que produzem lixo radioactivo. Mas, na realidade, o risco de exposição a radiações provenientes de centrais eléctricas e nucleares é muito reduzido, mesmo que viva perto delas.

Para se proteger de radiações ionizantes siga alguns dos conselhos que se encontram na lista abaixo

  • Evite as exposições desnecessárias.
  • Reduza a exposição ao radónio.
  • Não faça radiografias de que não necessita.
  • Limite o número de vôos ou de viagens a grandes altitudes.
  • Proteja-se de exposições na sua actividade profissional e tome as medidas adequadas
    nesse sentido. A investigação científica demonstrou, por exemplo, que os pilotos com mais de 5.000 horas de vôo podem ter um risco acrescido de contrair leucemia mielóide aguda devido às radiações cósmicas a grandes altitudes.
  • Conheça os riscos do meio em que vive -cuidado, por exemplo, com fábricas locais que libertam radioactividade nos rios ou na atmosfera.

Cerca de 50% das radiações a que estamos expostos provêm do radónio, um gás radioactivo natural que se liberta da crosta terrestre e entra nas nossas casas e nos nossos locais de trabalho. O radónio resulta da desintegração radioactiva do urânio, que se encontra numa grande extensão da crosta terrestre, mas sobretudo em níveis mais altos e em determinados estratos geológicos, em especial no granito.

Nos espaços interiores, os níveis são geralmente reduzidos, mas em zonas ricas em granito e urânio, as maiores quantidades do gás podem Infiltrar-se nos edifícios através de fendas existentes no chão ou nas paredes, se tiverem sido usados materiais graníticos na sua construção. As pessoas que vivem ou trabalham nestas zonas recebem pelo menos 5 vezes mais radiações de radónio do que a média. A exposição prolongada a altos níveis de radónio tem sido associada a um risco acrescido de cancro do pulmão, sobretudo nos fumadores.

Como diminuir o risco de exposição ao radónio

Verifique os níveis locais de radónio

Mande medir os níveis de radioactividade dentro da sua casa, especialmente se morar numa zona de granito, e, se a sua casa tiver materiais graníticos.

Se fumar com regularidade numa zona com altos níveis de radónio aumenta drasticamente os riscos para a sua saúde. Portanto, desista imediatamente dos cigarros.

Se necessário, faça alterações simples no sistema de ventilação

Um extractor montado por baixo do edifício pode reduzir os níveis de radónio.

Radiações electromagnéticas

As radiações electromagnéticas consistem em ondas produzidas pelo movimento de partículas carregadas de electricidade. Entre os exemplos, figuram as ondas de rádio, as microondas, a luz visível e os raios X. Este tipo de radiações não-ionizantes é libertada por todos os aparelhos electrónicos modernos.

Até que ponto as radiações electromagnéticas são nocivas para a saúde e constituem uma ameaça para a longevidade é uma questão muito controversa. Existem estudos científicos suficientes para que seja possível admitir a existência de um risco, mas não se sabe ao certo para quem, qual é a sua dimensão nem em que condições. Muitas pessoas preocupam-se com os riscos provenientes da utilização de telefones celulares e das suas antenas exteriores, dos fogões microondas e dos cabos de electricidade. No entanto, os especialistas na matéria não estão de acordo quanto à hipótese de quem vive por baixo de cabos eléctricos ou de quem usa telefones celulares correr um risco maior de sofrer de leucemia ou de cancro do cérebro, respectivamente. Embora alguns estudos epidemiológicos apontem para uma taxa maior de doenças como o cancro nas pessoas que estão expostas a radiações não-ionizantes, nenhum estudo realizado até agora permitiu concluir que esta seja a causa da doença nem criar um mecanismo que estabeleça uma relação de causa e efeito. É possível que os campos electromagnéticos actuem de modo a provocar concentrações de outros agentes causadores de cancro, como o radónio.

Até haver provas mais concludentes, talvez seja preferível manter-se afastado de radiações não-ionizantes, na medida do possível.



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