A tuberculose e a Sida estão associadas?

A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) aparece associada à tuberculose, compartilhando algumas populações de risco. Globalmente, 15% dos doentes portugueses com tuberculose têm teste positivo para o HIV. A infecção tuberculose/sida é mais frequente nas zonas de concentração populacional onde as duas
infecções têm maior incidência, sendo de 25% no distrito de Lisboa, 21% no distrito de Setúbal e 15% no distrito do Porto. Nos doentes infectados com o vírus da sida, os aspectos clínicos e radiográficos da tuberculose aparecem alterados, mais difíceis de diagnosticar, sendo necessário manter elevado nível de suspeita para não passar despercebida. O tratamento da tuberculose nestes doentes faz-se durante mais tempo (habitualmente nove meses) começando a sentir-se o efeito do tratamento mais lentamente. O resultado final do tratamento, contudo, continua satisfatório, terminando na cura do doente desde que seja assegurado o cumprimento da toma regular dos medicamentos. Os doentes infectados com VIH, à medida que a sida compromete a sua imunidade, tornam-se mais susceptíveis ao contágio a partir de doentes com tuberculose com que privem. Como há um grande número de pessoas saudáveis infectadas com bacilos de Koch, essas pessoas podem passar a apresentar tuberculose quando a sua imunidade está muito atingida pela sida, sem precisar de novo contágio do exterior. E por isso que as duas infecções se associam com muita frequência.
A especificidade da co-infecção determinou a elaboração de algumas recomendações para uso do pessoal de saúde dedicado a estes problemas.
Recomendações para o acompanhamento de indivíduos com tuberculose e infecção por VIH:

1. A frequência da co-infecção entre ambos os agentes justifica que todos os doentes com tuberculose sejam aconselhados a realizar teste de diagnóstico da infecção por VIH. Do mesmo modo, em todos os portadores de infecção por VIH deve ser pesquisada activamente eventual infecção por Mycobaclerium tuberculosis.

2. O tratamento de ambas as infecções deve ser paralelo e controlado por especialista com experiência nesta área. A administração dos fármacos deve ser feita sob observação directa (TOD).

3. O tratamento inicial da tuberculose deve ser feito em regime de internamento, dado que, nos doentes co-infectados, a resposta à terapêutica da tuberculose pode ser mais tardia. O internamento justifica-se, ainda, pela eventual toxicidade ou pelo desenvolvimento de reacções paradoxais em resposta ao tratamento conjunto de ambos os agentes.

4. Deve promover-se o rastreio sistemático da tuberculose em agregados de indivíduos com VIH (residências para sem-abrigo, prisões).

5. As medidas de isolamento e de controlo da infecção devem ser idênticas às dos outros doentes com tuberculose.



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