Viver na cidade aumenta a esperança de vida

«É preferível feijões e toucinho em paz do que bolos e cerveja com medo», diz o rato do campo na fábula de Esopo. O rato da cidade tinha troçado da alimentação frugal do seu primo do campo e levara-o a banquetear-se na cidade. Mas, perseguido por cães enormes e pressionado pela vida urbana, o rato do campo depressa regressou a casa.

Tanto a vida na cidade como a vida no campo têm vantagens para a saúde, mas, em geral, quanto mais urbanizado for um país, maior é a média da esperança de vida. O desenvolvimento dos centros urbanos tende a reflectir a actividade industrial, a prosperidade, as boas comunicações e um sistema de apoio social consistente. No entanto, em muitas cidades, há zonas fortemente carenciadas onde grupos segregados vivem em condições inferiores ao que é normal e enfrentam problemas tipicamente urbanos, como a poluição causada pelo trânsito e a falta de espaços verdes.
Portanto, embora o facto de habitar numa zona urbana possa ajudá-lo a viver mais tempo, talvez seja preferível, se tiver possibilidades para isso, escolher as zonas mais rurais. Se for obrigado a viver numa cidade, seja ela grande ou pequena, a existência de espaços verdes próximos da sua casa, onde possa andar a pé – e ande mesmo – está comprovadamente associada a uma vida mais longa.

O contrário é verdadeiro num país subdesenvolvido. Aqui, viver na cidade representa oportunidades, prosperidade e uma vida mais longa (desde que consiga habitar na parte aprazível da cidade).

Dados das Nações Unidas sobre a esperança de vida revelam semelhanças notáveis entre os bairros degradados urbanos e as zonas rurais de países pobres, como Bangladesh, Haiti, índia, Nepal e Níger.

Se tiver a sorte de viver ou de trabalhar num ambiente agradável – rodeado de jardins tranquilos, por exemplo – saberá como ele é importante para provocar uma sensação profunda de bem-estar todos os dias. Não é de admirar que a investigação científica tenha revelado que, depois de uma operação, os doentes internados em quartos de hospital com uma vista agradável para o exterior (com árvores, por exemplo) recuperaram mais depressa e tiveram alta mais cedo do que aqueles que viam um muro de tijolos.

Ora, se uma boa vista ajuda os doentes a recuperar, deve ajudar-nos, a todos, a mantermo-nos saudáveis, tomando-nos mais bem dispostos, aliviando o stress e enchendo–nos de optimismo e de satisfação. Portanto, instale a sua cadeira perto da janela e olhe lá para fora. Se não gostar do que vir, cole cartazes ou pinte qualquer coisa na parede, ou então não deixe de sair nem de passar algum tempo todos os dias num sítio qualquer em que a vista seja aprazível.



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