Prevenção da Osteoartrose

Apesar da maioria dos factores de risco ou de progressão, bem estabelecidos, serem “não modificáveis” (idade, sexo, hereditariedade, lesão articular prévia), há cada vez mais dados que apontam factores sobre os quais podemos inteivir (obesidade, densidade mineral óssea, factores alimentares, tipos de desporto/actividades). A terapêutica actualmente disponível visa o alívio dos sintomas, controlo da inflamação e possível protecção da cartilagem. As diferentes modalidades devem ser escolhidas pelo médico, “à medida” do indivíduo, segundo a fase da doença, comorbilidades, contra-indicações a alguns tratamentos, preferências e disponibilidade de meios. A terapêutica recomendada, e possível nos nossos dias, passa sempre por meios não-farmacológicos. A educação sobre a doença é fulcral para a aquisição de competencias na auto-eficiência. E necessária a alteração de comportamentos de risco, a adopção de estilos de vida mais saudáveis e a aprendizagem de métodos de adaptação a limitações psicológicas, sociais e físicas. Também podem ser úteis o apoio e a terapêutica ocupacionais, bem como o tratamento da ansiedade e da depressão, caso existam.

A actividade física, aeróbica, regular e adaptada ao indivíduo (como a marcha em solo plano e a prática de natação ou bicicleta), permite o condicionamento global e o aumento da coordenação motora e do equilibrio, contribuindo para a profilaxia de quedas. A par, os programas de exercícios localizados são essenciais para o fortalecimento muscular e para a protecção articular.

O emagrecimento (se existe obesidade) é comprovadamente uma das principais terapêuticas na osteoartrose. São, igualmente, muito eficazes medidas como a utilização de vestuário e de calçado apropriados, bem como, eventualmente, de ortóteses plantares. Existem outros meios disponíveis, como a terapêutica física e de reabilitação (por exemplo, massagem, calor/frio local, ultra-sons, estimulação eléctrica ou com campos electromagnéticos pulsados). A alimentação deve ser equilibrada, com ingestão abundante de vegetais. Embora existam estudos, relativos a algumas vitaminas (vitaminas C e D), que indiciam um efeito benéfico, este ainda não foi inequivocamente comprovado, pelo que o bom senso recomenda a sua ingestão nas doses consideradas “saudáveis” para a população em geral. Dos fármacos analgésicos disponíveis, o paracetamol é de primeira escolha no tratamento inicial e a longo prazo (se eficaz).

Prevenção da Osteoartrose

Tem uma boa relação custo-eficácia, e é seguro, nas doses recomendadas, em doentes idosos ou com doença cardíaca, renal, gástrica ou asma. Os opiáceos como a codeína, apesar de constituírem uma boa alternativa, são provavelmente subutilizados pelos clínicos, atendendo às preocupações com a possibilidade de desenvolvimento de dependência e de potenciais efeitos laterais, como a obstipação e as alterações do sistema nervoso central (cefaleias, sonolência, confusão, náuseas), alterações estas mais frequentes nos idosos.

Anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs)

Os anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) apresentam eficácia superior ao paracetamol no controlo da dor e da inflamação, mas também maior potencial de toxicidade. Existem múltiplos AINEs, cada qual com um perfil de eficácia e de toxicidade próprio, pelo que deverão ser unicamente usados por indicação médica, baseada nas especificidades e particularidades do doente. São efeitos laterais possíveis, e potencialmente graves, as toxicidades gastrointestinal (por exemplo, úlcera péptica), renal ou hepática e as alterações cardiovasculares (por exemplo, a hipertensão arterial e a insuficiência cardíaca), aparentemente partilhados por todos os AINEs, mas em diferentes graus. Estes efeitos dependem geralmente da dose em que são utilizados, pelo que devem ser iniciados sempre sob indicação médica, na menor dose recomendada e menor duração possível. A capsaicina e os anti-inflamatórios tópicos são opções seguras e úteis, sobretudo para áreas pequenas e superficiais.

A injecção intra-articular de corticóide (geralmente nos joelhos e mãos) é eficaz nas crises de agudização álgica, e como alternativa em casos de contra-indicação à terapia oral ou cirúrgica. É relativamente segura e diminui a incidência de efeitos colaterais, ao permitir uma menor utilização de outros medicamentos. Pode ser repetida em intervalos regulares, sem aparente prejuízo articular a longo prazo.

Também para infiltração articular (viscossuplementação), existem moléculas, como o ácido hialurónico, que é um constituinte natural das articulações, com propriedades visco-elásticas, e com funções na lubrificação e na absorção de impactos durante os movimentos articulares. Poderão ter eficácia sintomática e contribuir, também, para a diminuição da progressão da doença, nomeadamente na gonartrose “moderada” ou sem indicação cirúrgica imediata. O início de acção é mais lento do que com a corticoterapia intra-articular e, geralmente, cada ciclo de tratamento inclui três a cinco injecções, administradas com intervalo de uma semana. Por norma, efectuam-se dois ciclos por ano. Fármacos, como o sulfato de glucosamina ou de condroitina e a diacereína, sem efeitos laterais sérios descritos, são aparentemente eficazes, quando associados aos analgésicos e anti-inflamatórios. Terão uma forma de acção mais lenta e mais sustentada. Apesar dos resultados não terem ainda sido comprovados, têm sido largamente utilizados como agentes modificadores da evolução natural da doença.

A cirurgia ortopédica está genericamente indicada nas fases mais avançadas, que se mostram rebeldes à terapêutica não cirúrgica, e que configuram situações de dor ou de limitação funcional, moderada a severa. Todavia, neste contexto (indicação cirúrgica), torna-se também imprescindível uma rigorosa avaliação individual, por via da multifactoriedade envolvida (idade, actividade, comorbilidades e aceitação do doente). Concisamente, a estratégia terapêutica deverá ser adaptada ao indivíduo em causa, usando fármacos em subida gradual, sempre em associação com terapêuticas não farmacológicas. Deverá ser seguido um programa orientado e vigiado por profissional credenciado, com o apoio familiar, a fim de estimular a manutenção das atitudes e evitar o uso inadequado ou excessivo de medicamentos (tão frequente, dada a natureza crónica desta patologia).



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