Obesidade um Problema de saúde Publica

Problema de saúde – Obesidade

A primeira indagação levar-nos-ia, começando realmente pelo princípio, a notar como se deixou de falar de pessoas gordas, arrastando a palavra uma carga pejorativa, construída socialmente, e a partir daí entender as circunstâncias em que nos encontramos. O mais desejável seria talvez explicar como se acumula a gordura, como se negoceia o balanço entre adiposidade e massa muscular, como a lógica de uma variação regida pelas regras da fisiologia se pode transformar numa patologia. Enquanto condição de saúde, medicamentada ou à procura de um estatuto entre as categorias de doenças (e quantas pessoas “gordas” se consideram realmente doentes? E que sentido pode fazer, em consequência, defender direitos especiais para obesos?). Daí viria pensar a prevenção e naturalmente, na perspectiva com que infelizmente tendemos a viver as doenças, escrutinar tratamentos, se possível ir em busca de uma pílula mágica. E que, na nossa tradição cultural, o que se resolve apenas mudando o estilo de vida não é uma doença digna desse nome. Para o ser, exige medicamentos (que já estão aliás disponíveis em formulações mais específicas e são pelo menos mais inteligentes – se não forem mais eficazes -que as múltiplas fórmulas baseadas em polimedicação e doses imoderadas de hormonas tireóideas tão em voga nas clínicas de emagrecimento). Ou em alternativa um tratamento cirúrgico, cada vez mais reclamado até pela facilidade técnica quando se centra em soluções endoscópicas.

Em França, em 2000, já 420 hospitais e clínicas propunham soluções cirúrgicas para a obesidade, a que recorreram quase 9000 pessoas, um número que em menos de três anos tinha duplicado.

O tratamento cirúrgico da obesidade era inicialmente reservado a pessoas com a chamada obesidade mórbida (índice de massa coiporal superior a 40 kg/m2) ou perante complicações resolúveis com a perda de peso, como o são a insuficiência cardíaca ou a apneia de sono. A decisão cirúrgica pode ser tão radical quanto um “bypass gastrointestinal, retirando grande parte do aparelho digestivo do circuito de passagem dos alimentos, ou tão simples quanto a colocação de uma banda gástrica que deixa reduzido o espaço que o estômago oferece para acomodar alimentos e estimula a sensação de saciedade, e com o que pode em 12 a 18 meses obter-se reduções de 60% a 80% do excesso de peso. No entanto, é sempre considerada como um recurso-limite (pelas complicações, que embora raras são bem conhecidas, pelo compromisso com mudanças radicais no estilo de vida, e naturalmente pelos custos), que pressupõe terem sido esgotadas as opções com base na manipulação da dieta e do exercício. Mas esta visão das coisas tem uma carga inequívoca de moral ou moralismo. Parte do princípio de que o peso aumenta porque a preguiça em se exercitar é ainda agravada por um apetite guloso, que não resiste aos estímulos alimentares. E a teoria de uma simples balança e a explicação mais simplista para a qual se pode encontrar a solução mais simplista que é sempre a de natureza mecânica.

Mais interessante será perceber como em tão pouco tempo mudou o mundo e com ele o nosso olhar sobre a circunstância da obesidade que outrora foi vista como sinal de invejável saúde e riqueza por oposição à magreza que indiciava doença ou penúria material e hoje é considerado um problema grave de saúde publica.



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