Como tratar a gripe?

Normalmente o tratamento da gripe é instituído em casa, com recurso a medicamentos para controlo dos sintomas predominantes. Na maioria dos países, só cerca de metade dos doentes com gripe recorrem a pelo menos uma consulta com um médico. Nos casos de gripe não complicada, independentemente de ter havido ou não observação por um médico, o tratamento e a convalescença devem ser feitos em casa. Se existirem dúvidas quanto à gravidade dos sintomas, e à necessidade de recorrer a um serviço de saúde, poderá contactar-se o serviço Saúde 24 e obter aconselhamento e encaminhamento de acordo com a situação.
Para alívio sintomático, durante os primeiros dias, podem ser utilizados antipiréticos e analgésicos, com a finalidade apenas de baixar a febre e aliviar as dores, preferencialmente o paracetamol, e também anti-inflamatórios não esteróides (como por exemplo o ibuprofeno que também tem poder analgésico e antipirético) para diminuir a inflamação, devendo evitar-se a aspirina sobretudo nas crianças.

Conselhos práticos para os doentes com gripe

  • – Evite mudanças de temperatura;
  • – Não se abafe demasiado;
  • – Meça a temperatura corporal ao longo do dia, com termómetro, e registe-a;
  • – Não tome aspirina sem conselho médico;
  • – Lembre-se de que durante o período de doença não deverá tomar vacinas;
  • – Não vá à escola ou ao trabalho: fique em casa, em repouso, evitando o contacto próximo com outras pessoas, para impedir o contágio;
  • – Beba muitos líquidos: água e sumos de fruta;
  • – Coma o que mais lhe apetecer;
  • – Para a obstrução nasal use soro fisiológico;
  • – Se está grávida ou amamenta, não tome medicamentos sem falar com o seu médico.

Existem medicamentos antivíricos que podem ser utilizados no tratamento farmacológico, e também, em algumas situações, na prevenção da gripe. Os antivíricos, para tratamento da gripe, contêm como substância activa o zanamivir (Relenza®), o oseltamivir (Tamiflu®) e a amantadina (Parkadina®).
A amantadina é eficaz contra os vírus da gripe A; no entanto, o seu uso tem sido desaconselhado quer pelos efeitos indesejáveis que causa a nível do sistema nervoso central, quer sobretudo porque nos estudos de vigilância se tem verificado um aumento preocupante da proporção de vírus circulantes resistentes a este fármaco. Relativamente aos inibidores da neuraminidase, classe mais recente de antivíricos activos contra os vírus da gripe A e B, a que pertencem o zanamivir (Relenza®) e o oseltamivir (Tamiflu®), de acordo com a experiência até agora reunida, verificou-se que são geralmente bem tolerados e que se associam a baixo nível de resistências. Estes medicamentos são eficazes em reduzir a duração da doença, a gravidade dos sintomas e a proporção de complicações associadas à gripe. Por isso, poderão ser usados para diminuir os efeitos da infecção, sobretudo pelas pessoas em quem se espera uma maior probabilidade de complicações associadas à gripe. Para se obter estes benefícios, a medicação deve ser iniciada o mais precocemente possível após o aparecimento dos sintomas, no máximo até passarem 48 horas. Este facto obriga a uma consulta, que como vimos só metade dos doentes procura, e atempada, pois são medicamentos que devem ser tomados por prescrição médica. Em algumas circunstâncias, quando se confirma ou se suspeita de uma infecção bacteriana associada a um quadro de gripe, pode ser necessária a administração de antibacterianos (antibióticos), que não devem ser tomados por iniciativa do doente, em automedicação-mas sempre sob orientação de um médico.
Quando surge um novo subtipo do vírus A (AxNx) capaz de infectar e se transmitir entre seres humanos, anteriormente desconhecido, ou seja para o qual a população tem pouca ou nenhuma imunidade, este vírus causa doença aparente numa grande parte da população e transmite-se rápida e extensamente, causando uma pandemia. Este vírus torna-se endémico na população, causando epidemias a cada 1 a 3 anos, com impacto cada vez menor, à medida que a imunidade de grupo aumente. Se em determinadas circunstâncias surge um novo subtipo vírico (HyNy) pode surgir novamente uma pandemia e desaparecer o vírus anteriormente em circulação (HxNx).



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