Como ocorre a transmissão da gripe humana?

A evidência científica até agora obtida sustenta que a transmissão do vírus da gripe ocorre durante o contacto interpessoal próximo, através de gotículas respiratórias grandes emitidas pelo hospedeiro infectado, durante a tosse, espirros ou acto de falar. Essas gotículas vão depositar-se nas superfícies mucosas do aparelho respiratório superior (boca e nariz) de um hospedeiro susceptível que esteja a menos de um metro de distância do emissor. A transmissão da gripe também pode ocorrer por contacto directo ou indirecto com secreções respiratórias, como quando se toca numa superfície contaminada com vírus da gripe e a seguir se toca na boca, no nariz ou nos olhos. Os vírus da gripe humana podem persistir em superfícies por mais de duas horas, sendo que o frio e a humidade aumentam a sua sobrevivência. As baixas temperaturas e a elevada humidade, que se verificam no Inverno, associadas a factores como a ventilação reduzida e a aglomeração de pessoas em ambientes fechados, facilitam a transmissão da gripe. No contexto da preparação para uma possível pandemia de gripe tem-se considerado a possibilidade de o vírus da gripe se transmitir por intermédio de partículas pequenas (transmissão por via aérea), tal como se passa no caso da transmissão da tuberculose. Embora a Organização Mundial de Saúde considere esta forma de transmissão, ela não parece assumir grande importância, mesmo em doentes internados em instituições de saúde. O peso relativo desta forma de transmissão e as condições em que ocorre necessitam de mais investigação, mas, por precaução, deve considerar-se essa possibilidade e recorrer à utilização de medidas de protecção apropriadas, em situações especiais de alto risco, como quando se faz manobras a um doente que podem induzir a libertação de partículas respiratórias mais pequenas – aerossóis -, por exemplo manobras de ressuscitação cardio-respiratória, ou quando se contacta com doentes com suspeita de infecção por vírus aviários.
Após infecção das células epiteliais da traqueia e dos brônquios, inicia-se o primeiro ciclo de replicação vírica que dura quatro a seis horas. Atingem-se rapidamente altas viremias (número de partículas víricas nos tecidos), o que, associado a um curto período de incubação, tipicamente de 2-3 dias, e a um período de contágio que começa cerca de 24 horas antes do início de sintomas e se prolonga até cerca de cinco dias após esse início, explica a natureza explosiva e rapidamente generalizável da doença e dos surtos. Em crianças e em doentes com imunodepressão (defesas diminuídas, quer por doença congénita ou adquirida, quer por fármacos), o período de contágio – de excreção de vírus através do aparelho respiratório – é mais prolongado, podendo atingir duas a três semanas.

Contacto directo

A transmição ocorre quando a transferência do microrganismo resulta do contacto físico directo entre um individuo infectado ou colonizado e um hospedeiro susceptível.

Contacto indirecto

A transmissão ocorre pela transferência passiva de microrganismos para um hospedeiro susceptível através de um objecto intermediário tal como as mãos não lavadas no contacto com doentes, ou instrumentos contaminados ou outros objectos inanimados do ambiente envolvente do doente.

Gotícula

A transmissão ocorre através de gotículas grandes (mais de 5 micrómetros) emitidas a partir da via respiratória de um individuo infectado, durante o acto de tossir, espirrar ou lalar, ou durante determinados procedimentos médicos como aspiração de secreções respiratórias ou realização de broncolibroscopia. Estas gotículas são lançadas para o ar ambiente a uma distancia de até um metro e depositam-se na superfície mucosa da boca ou do nariz do novo hospedeiro ou nas superfícies de objectos ou ambiente envolvente, listas gotículas grandes não ficam em suspensão no ar, pelo que não são necessários sistemas de ventilação (pressão negativa) especiais para isolamento e prevenção.

Via aérea

A transmissão ocorre através da formação e da disseminação de aerossóis contendo microrganismos. Os microrganismos ficam presentes em partículas pequenas (com menos de 5 micrómetros), que permanecem em suspensão por longos períodos de tempo e podem ser transportadas por correntes de ar e inaladas por um hospedeiro susceptível situado a uma distância considerável do doente ou de um indivíduo infectado, mesmo em outro quarto ou enfermaria. O controlo da transmissão por via aérea é difícil e requer controlo dos fluxos de ar através de sistemas de ventilação especiais.



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